
Gravidez de Baixo Risco: Enfermeiros Já Podem Acompanhar e Pedir Exames. O Que Muda em 2026?
Se pesquisou “gravidez de baixo risco enfermeiros” ou “enfermeiros podem pedir exames a grávidas”, é porque uma das mudanças mais relevantes dos últimos anos na prática de enfermagem em Portugal já está em curso. Neste artigo explicamos o que diz a lei, o que já está a acontecer no terreno, e o que isto significa para quem trabalha (ou quer trabalhar) na vigilância da gravidez.
O que mudou: o Despacho n.º 1572/2026
A 9 de fevereiro de 2026 foi publicado o Despacho n.º 1572/2026, que atribui aos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (EEESMO) o direito de acompanhar grávidas de baixo risco e de solicitar exames complementares de diagnóstico, uma competência que, até então, estava reservada aos médicos.
Na prática, este despacho criou um projeto-piloto de acompanhamento da gravidez de baixo risco, com uma abordagem integrada e interprofissional dentro das equipas de saúde familiar, e determinou a constituição de uma Comissão de Acompanhamento responsável por definir o protocolo de implementação, os indicadores de avaliação e a monitorização contínua do modelo.
Porque está isto a acontecer: a falta de médicos de família
O motivo por trás desta mudança é direto: a escassez de médicos de família em várias zonas do país está a deixar milhares de grávidas sem acompanhamento de proximidade nos cuidados de saúde primários. O novo modelo pretende colmatar essa lacuna, reforçando o acesso das grávidas de baixo risco a cuidados de qualidade, sem depender exclusivamente da disponibilidade de consulta médica.
Por isso, o modelo está a ser implementado prioritariamente nas Unidades Locais de Saúde (ULS) com maior carência de médicos de Medicina Geral e Familiar, alargando-se depois progressivamente ao resto do país.
Como está a decorrer a implementação no terreno
Apesar de o enquadramento legal já estar em vigor desde fevereiro, a aplicação prática está a acontecer por etapas:
- Fevereiro de 2026 — Publicação do Despacho n.º 1572/2026, que cria o projeto-piloto e define as regras base.
- Março a julho de 2026 — Desenho do arranque prioritário nas ULS com maior falta de médicos de família.
- Agosto de 2026 — O Ministério da Saúde recebe o relatório final da Comissão de Acompanhamento e avança para a regulamentação detalhada do modelo. É também nesta fase que se desbloqueia o acordo técnico que vai permitir aos enfermeiros solicitarem análises e ecografias diretamente nas plataformas informáticas do SNS.
Ou seja: a competência já existe na lei, mas a operacionalização, sobretudo ao nível informático e logístico nos centros de saúde, está ainda a ganhar forma e vai continuar a expandir-se nos próximos meses.
Nem tudo consensual: a posição da Ordem dos Enfermeiros e da Ordem dos Médicos
O processo não tem sido isento de divergências. Durante os trabalhos da Comissão de Acompanhamento, surgiram tensões entre a Ordem dos Enfermeiros e a Direção Executiva do SNS (DE-SNS), sobretudo quanto às permissões informáticas para requisição de exames e à autonomia dos enfermeiros na prescrição de medicação. A Ordem dos Enfermeiros chegou a sair da comissão, alegando falta de condições para continuar os trabalhos.
Do lado da classe médica, tem havido também um reforço público da posição de que a responsabilidade clínica global pela gravidez deve manter-se médica. Esta tensão institucional é normal em processos de mudança de competências profissionais — mas não muda o facto central: os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica vão, cada vez mais, assumir esta responsabilidade clínica na prática.
O que isto significa para a tua prática como enfermeiro especialista
Se és Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstétrica (ou estás a caminho de te tornares), este novo modelo implica competências concretas que vão além da formação de base, nomeadamente:
- Classificação e reavaliação contínua do risco gestacional;
- Identificação de sinais de alerta e critérios de referenciação médica ou hospitalar imediata;
- Solicitação e interpretação de exames complementares de diagnóstico;
- Acompanhamento longitudinal da grávida, idealmente sempre pelo mesmo enfermeiro, até à consulta hospitalar de termo;
- Articulação eficaz com o médico de família de referência sempre que surjam intercorrências.
Estas competências não substituem a formação especializada de base — reforçam-na, atualizando-a para um enquadramento legal e clínico que só agora está a entrar em vigor.
Como te podes atualizar já
Para responder diretamente a esta nova exigência da prática de enfermagem, a MedIQ Skills lançou o curso Atualização em Protocolo de Vigilância da Gravidez de Baixo Risco, com a formadora Catarina Silva – Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica, Doutorada em Ciências de Enfermagem pela ICBAS-UPorto, investigadora no CINTESIS e com 11 anos de experiência docente no ensino superior.
O curso aborda:
- O protocolo atualizado de vigilância da gravidez de baixo risco;
- Critérios de classificação e reavaliação do risco gestacional;
- Identificação de sinais de alerta e critérios de referenciação médica/hospitalar;
- Competências clínicas de enfermagem na vigilância da gravidez, incluindo a solicitação de exames complementares;
- Acompanhamento contínuo da grávida até à consulta hospitalar de termo.
Formato: Online, síncrono · 5 horas · 10 de outubro de 2026 · Certificação DGERT (via SIGO)


